Bailarina cata-vento que fiz para a sede da Escola de Balé das Comunidades Dançando Para Não Dançar. A sede está localizada na R. Frei Caneca, 139, Centro, Rio de Janeiro.
Aviso
Escola de Balé das Comunidades Dançando Para Não Dançar
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O Xerox
Eu tomava um cafezinho no bar. Dois garçons do lado de lá do balcão conversavam sem cerimônia, e ouvi o diálogo:
— O cara é igualzinho a mim – dizia o baixinho. – O rosto, cabelo, tamanho, tudo, tudo... Se fosse meu irmão gêmeo, não seria tão parecido comigo.
— Sei. E daí? – perguntou o mais alto.
— Acontece que esse meu xerox é gay. E tem um mulato fortão que é gari e que é louco por ele. Me confundiu com o gay, e foi chegando aqui no bar, me arrastou pro canto, foi me beijando, passando a mão na minha bunda... Eu dizia que não era o outro, mas ele era todo braços e mãos na minha bunda.
— E você não fez nada?
— Não pude. O sujeito me ama.
VOU CHAMAR O JOSÉ!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Pedro tinha, mas seu irmão José não tinha medo do Bicho-Papão. Por isso, Pedro dormia rapidamente, mal deitava, para não ver o Bicho-Papão que a mãe ameaçava chamar, caso não pegasse no sono. José, por não ter medo, dormia tarde e por isso o Bicho-Papão só aparecia pra ele e ficavam os dois a conversar horas e horas, noite adentro.
O Bicho-Papão contou tudo que sabia para José: histórias fantásticas, casos horripilantes, fatos tenebrosos, também coisas bonitas e suaves canções.
Por medo ou incredulidade, ninguém da cidade queria ouvir o que José sabia e aprendera com o Bicho-Papão. Quando José começava a falar sobre seus conhecimentos as pessoas pediam para ele não contar, mudavam de assunto, se aborreciam, pediam licença e deixavam José falando sozinho.
Mas, quando as crianças da cidade choravam e não queriam dormir, as mães diziam que iam chamar o José para pegá-las. Foi assim que José também virou Bicho-Papão.