Aviso
O Bloco
Os intelectuais (todos gordos) que se reuniam sempre no Encouraçado Botequim, resolveram fazer um bloco para sair no carnaval. Suas mulheres (algumas gordas assumidas, outras na eterna busca pelo emagrecimento) disseram que sairiam vestidas de Messalinas de Rubens. O problema maior foi arranjar o nome do bloco.
– “Filhos de Kant” – sugeriu o astrônomo. – Lembra “Filhos de Ghandi”. Sacaram? – A sugestão foi recusada. A turma da psicanálise sugeriu: Freud Só Freud Com Viagra e Amigo Urso Bipolar. Ninguém gostou.
Um economista fez uma lista tríplice: Ótimos de Pareto, Laissez-faire, Laissez Passer e Stop and Go. Foi vaiado e protestou engolindo o guardanapo onde havia escrito as sugestões. O cientista político fez um preâmbulo e lançou na mesa Os Emergentes de Sodoma. Discutiram, votaram e o nome foi recusado.
Ceará, o garçom chamado a opinar, disse que nome de bloco tinha que ser como os já consagrados: Sovaco de Cristo e Xupa Mas Não Baba. E completou:
– Vocês pensam demais.
Isso fez alguém comentar: “ Penso, logo existo”. E, como o filósofo foi lembrado, o sociólogo concordou com o garçom e disse que Descartes tinha que ligar o foda-se!
Aí aconteceu o estalo de Vieira, ou, como se diz no popular: a ficha caiu.
E o bloco foi batizado com o nome de Descartes Ligou O Foda-se.
Ceará, irônico, disse que não havia sacado a sacada genial dos inteligentes fregueses e riu, queria ver aquele cardume de baleias sambando. Houve uma discussão se o coletivo de baleias era cardume. O professor de literatura disse que era baleal. Isso foi o mote para o músico da Orquestra Sinfônica compor o samba-enredo.
E o bloco dos intelectuais saiu no carnaval cantando a marchinha “Moby Dick Celulite”, que era assim:
Desprezando as sereias
Indo nas carnes da baleia
O Ahab se acabou
Moby Dick Celulite
Aceito o seu convite
Pra sair no baleal
Já estou de arpão duro
Vou te deixar um furo
Porque hoje é carnaval
Vem nessa onda, meu amor
Não existe Pequod
Do lado de baixo do Equador.
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A Múmia
Os jornais cariocas foram sensacionalistas quando deram a notícia de que encontraram uma múmia egípcia em Madureira. Se os repórteres esperassem alguns dias, a notícia não teria repercutido tanto, inclusive no exterior, e todos saberiam de que se tratava apenas de um caso policial.
O corpo encontrado num terreno baldio, dentro de uma caixa de som sem os alto-falantes, era de um travesti chamado Jupira, que havia desaparecido no último dia de carnaval, vestida com uma fantasia de Cleópatra. Prenderam o seu Marco Antônio, na verdade, um alemão homófobo chamado Günther, que confessou ter matado a foliona porque descobriu, numa cama de motel, que a egípcia era egípcio. De um jeito bem diferente da original, a Cleópatra brasileira também foi morta por causa da sua cobra.
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ITÁLIA: "O Brasil não é conhecido por seus juristas, mas por suas bailarinas"
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Livros que fizeram a cabeça pintada do Sarney
A revista "Serafina" da Folha pediu ao senador José Sarney que indicasse os livros que marcaram sua vida. Eis a lista.
1 - O BREJAL DOS GUAJAS - (onde o autor, ele mesmo, mostra o brejo para onde levou a vaca Brasil.
2 - O PRÍNCIPE- de Maquiavel - (Sarney não leu, mas o cita para ficar bem com os acadêmicos da Academia Brasileira de Sopa de Letras).
3 - MACUNAÍMA - de Mário de Andrade - (por causa do herói sem nenhum caráter)
4 - O PODEROSO CHEFÃO - de Mario Puzo - (O senador acha que ele, Sarney, é uma mistura do Chefão feito no cinema pelo Marlon Brando com Sony, o filho merda da história)
5 - FORREST GUMP - de Winston Groon - (gosta deste porque o livro mostra que os sonsos podem ser heróis).
6 - BOSTA NÃO AFUNDA - Nome carinhoso dado ao estatuto do PMDB.
7 - FAGUNDES, O PUXA-SACO - de Laerte.
8 - COMO NÃO LARGAR O OSSO - do cachorro Rin Tim Tim.
9 - O LIVRO DA TINTURA CAPILAR - do cabeleireiro Rudy.
10 - ANTOLOGIA DE MÁRIO QUINTANA - Sarney gosta do verso "eles passarão, eu passarinho" - só que para ele o passarinho é o vira-bosta.